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GRIPE DAS AVES

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O vírus da gripe aviária H5N1 continua a ser manchete de vários serviços noticiosos. Todos os dias, são noticiados novos casos de aves infectadas e, mais recentemente, de alguns felinos. Embora, ainda não se tenha verificado nenhum caso em Portugal, as autoridades apertam as medidas preventivas. A Direcção-Geral de Veterinária acaba de tornar obrigatório o recenseamento de aves domésticas e de companhia. Para esclarecer e responder às dúvidas frequentes que nos chegam diariamente de associados, actualizamos este espaço, sempre que surgirem novidades.

Como se faz o contágio?

Entre as aves, a doença propaga-se através de poeiras, pelo solo, por inalação e através do contacto pelas penas, excrementos e carcaças de aves mortas. Dos animais para o Homem, o contágio faz-se por inalação. Entre humanos não há, até ao momento, qualquer evidência de contágio. Nesta altura, algumas pessoas já contraíram a doença na Ásia e na Turquia, após o contacto directo com aves infectadas. Os especialistas da Organização Mundial de Saúde têm dito que a situação turca não alterou o risco para o Homem. Apesar de surgirem todos os dias novos casos ou suspeitas noutros países europeus, não foram diagnosticados casos em humanos. Não se conhecem ainda casos de transmissão pessoa-a-pessoa.

A situação não é, neste momento, alarmante

Apesar de surgirem todos os dias novos casos de aves infectadas com o vírus H5N1 em diferentes pontos da Europa, a situação não é, neste momento, alarmante. Os casos que se têm verificado em felinos são esporádicos e não há evidência da transmissão de gatos para humanos. Só se recomendam medidas específicas no contacto com os gatos nas áreas onde se tenha detectado casos de infecção com o vírus H5N1 em aves. Neste caso, as medidas de prevenção são as normais, geralmente recomendadas em relação aos gatos: usar luvas e lavar bem as mãos e as unhas após mudar a areia dos gatos.

A grande preocupação é que o vírus sofra uma mutação que o torne facilmente transmissível entre humanos (o que ainda não se verificou), aumentando o risco de pandemia de gripe, como a que ocorreu em 1918. Nessa altura, uma gripe com estas características terá atingido um quarto da população, tendo feito um número elevado de vítimas, e, nos anos 50, uma outra afectou 17% da população.

As medidas tomadas actualmente pelas autoridades de saúde são sobretudo preventivas, para reduzir os riscos inerentes a uma nova pandemia. Medidas como proibir a importação de aves das zonas afectadas, interditar a venda e exposição destes animais vivos e a sua criação ao ar livre, visam evitar a rápida propagação entre as aves e reduzir a exposição humana. Esta situação aumentaria a probabilidade da mutação do vírus, com possibilidade de ser transmissível entre humanos.

Quem corre maior risco?

As populações de maior risco são, neste momento, as que contactam directamente com aves vivas, em quintas ou mercados. Quem tem aves domésticas, deve mantê-las em cativeiro, sem contacto com o ar livre, para evitar o encontro com aves migratórias. Na eventualidade de uma pandemia, os grupos de maior risco são habitualmente as crianças, os idosos, doentes crónicos ou com o sistema imunitário debilitado.

Vacina da gripe para todos?

Não.A Direcção-Geral da Saúde recomenda a vacina da gripe sazonal a todas as pessoas envolvidas no abate de aves. Esta vacina continua indicada para os grupos de risco habituais: idosos, pessoas com doenças crónicas (por exemplo, diabetes, doenças respiratórias, sida ou insuficiência renal) e pessoal dos serviços de saúde. Quem tem algumas galinhas numa capoeira, sem os outros factores de risco, não tem, actualmente, indicação para ser vacinado.

Obrigatório recensear todas as aves?

Se tiver um periquito, um canário ou um papagaio em casa, esta medida não o afecta. Não é obrigatório declará-los, desde que permaneçam engaiolados no interior da habitação, sem contacto com aves do exterior.

Todos os detentores de aves destinadas ao consumo, mas também as aves de companhia e as que entram em concursos, espectáculos e actividades culturais ou desportivas passaram a ser obrigados a recenseá-las. Galinhas, galos, patos, perus, avestruzes, numa capoeira ou numa área cercada ao ar livre, codornizes, pombos de correio, patos, cisnes, num lago, rio, barragem dentro da exploração ou nas imediações, mas também aves exóticas, pavões, etc., são alguns exemplos das espécies que é obrigatório declarar.

Com esta medida, a Direcção-Geral de Veterinária quer saber que aves povoam os quintais e as quintas de Portugal, para um maior controlo e uma acção mais eficaz, caso se detecte um foco de H5N1.

Para o recenseamento, os proprietários dos animais devem dirigir-se à junta de freguesia da área de residência ou ao médico veterinário municipal e preencher um formulário, com o tipo e o número de aves, as condições do alojamento, se as aves e respectivos ovos se destinam a consumo próprio ou a venda local.

A fiscalização do cumprimento destas novas regras cabe aos veterinários municipais, às direcções regionais de agricultura e autoridades policiais, nomeadamente a GNR e a PSP. Sempre que detectem proprietários que não declararam as aves, devem comunicar esse facto à Direcção-Geral de Veterinária. Os infractores são sujeitos a multas e, caso as autoridades tenham de abater mais tarde os animais não recenseados, perdem o direito a qualquer indemnização.

Quais os sintomas e quem contactar?

Perante aves de capoeira doentes ou mortas, ligue para a linha azul da Direcção-Geral de Veterinária, ao preço de uma chamada local ( 21 323 96 96 ) ou avise os veterinários municipais. Cuidado: não se deve enterrar animais doentes. Estes devem ser incinerados, para destruir uma eventual contaminação dos solos.

Nos humanos, os sintomas são semelhantes aos da gripe vulgar, mas mais intensos: febre superior a 38ºC, tosse ou falta de ar.

Se tiver estas queixas e esteve em contacto com aves domésticas ou selvagens possivelmente infectadas, ligue para a linha de saúde pública da Direcção-Geral da Saúde, ao preço de uma chamada local ( 808 211 311 ) ou para a linha gratuita do Centro Nacional de Emergência da Gripe Aviária ( 800 207 275 ).

O período de incubação da gripe provocada pelo vírus H5N1 parece ser superior ao da gripe sazonal, podendo decorrer de 2 a 17 dias.

Podemos comer carne de aves e ovos?

Não há, actualmente, nenhuma razão para suprimir ou reduzir a carne de aves e ovos da nossa alimentação. Tenha em atenção conselhos genéricos de precaução válidos também para reduzir o risco habitual de toxinfecções alimentares.

  • Cozinhe bem os ovos e a carne de aves, incluindo a de caça (temperatura mínima de 70ºC). Atenção às preparações com ovos crus, como a açorda, maionese, mousse de chocolate e baba de camelo caseiras.
  • Faça um corte na carne (até ao osso, por exemplo, no frango inteiro), para certificar-se de que não tem um tom rosado e não sai suco com tonalidade rosada ou sangue.
  • Não use os mesmos utensílios (por exemplo, faca, garfo, tábua) para cortar carne crua e legumes que serão consumidos crus (risco de contaminação cruzada).
  • Embale bem a carne crua antes de a colocar no frigorífico ou congelador, evitando o contacto com alimentos a serem consumidos crus.
  • Lave muito bem as mãos depois de manipular carne ou ovos crus.

É melhor evitar os jardins?

Actualmente, não se justifica privar-se dos passeios em jardins e parques. Os pombos não são considerados uma espécie de risco para a transmissão da doença. Se frequentar locais onde há lagos com patos e outras aves aquáticas, apenas se recomenda as medidas de higiene normais: lavar bem as mãos e as unhas após o contacto. Não se justifica, para já, privar as crianças destes locais de lazer, até porque o vírus não foi detectado em Portugal.

E se surgir uma nova pandemia?

O Ministério da Saúde e as autoridades sanitárias europeias reforçam a ideia de que não estamos, neste momento, numa situação de alerta máximo. Estamos no primeiro nível de alerta pandémico. As medidas tomadas neste nível são sobretudo preventivas, para reduzir os riscos de uma nova pandemia. Entre outras medidas, as autoridades de saúde estão a criar reservas de medicamentos anti-virais (Tamiflu e Relenza), capazes de reduzir a intensidade da doença e o risco de mortalidade.

O Centro Nacional da Gripe e o Observatório de Saúde praticam, de forma regular, métodos de vigilância que permitem detectar precocemente uma evolução anómala dos casos de gripe.

Mesmo que a anunciada pandemia chegue nos próximos meses, dificilmente deixaria as marcas das que ocorreram no século passado, altura em que não existiam as actuais técnicas de vigilância epidemiológica e as armas farmacológicas de combate: os antivirais e, para infecções bacterianas associadas, os antibióticos.

A Direcção-Geral da Saúde já emitiu diversos documentos com orientações técnicas para os serviços de saúde, de forma a estarem preparados para a eventualidade de aparecerem, em Portugal, casos de gripe aviária em humanos. Além de recomendações para o uso de antivirais, delineou orientações para a vigilância e investigação de casos suspeitos, nomeadamente em caso de viajantes em transportes aéreos, e de pessoas que tenham estado em contacto com doentes. Refere ainda medidas de protecção individual nos serviços de saúde.

Algumas instituições, como a Cruz Vermelha Portuguesa , têm promovido informação e procurado sensibilizar a sociedade civil para que esta saiba agir em caso de pandemia. Caso venha a acontecer, podem ocorrer taxas significativas de absentismo nos empregos, o que poderia interferir com o normal funcionamento de serviços básicos, como água, electricidade, comunicações, etc. Para minimizar o impacto de uma eventual pandemia, a Cruz Vermelha Portuguesa tem vindo a antecipar linhas gerais de acção para as empresas, autarquias e comunidade em geral.

Veja tambem os comunicados do CENEGA (Centro Nacional de Emergência da Gripe Aviária)

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